O Projeto Inventário Participativo: Memória, Verdade e Justiça do Paraná realizou duas oficinas, nos dias 21 e 22 de agosto, com o tema ‘Conhecendo o LUME: Lugar de Memória – Reflexões sobre História e Patrimônio’. Os eventos, realizados em parceria com a Universidade Federal do Paraná, foram destinados prioritariamente ao atendimento de servidores, estagiários e terceirizados do Centro Judiciário de Curitiba e integraram o circuito de ações da Semana do Patrimônio Cultural da cidade.
A ação foi dividida em quatro momentos: inicialmente, os presentes participaram de um coffee break onde se apresentaram; a historiadora e coordenadora do Projeto, Cláudia Hoffmann, mediou uma visita do grupo às instalações do LUME, onde abordou as exposições e o trabalho desenvolvido no local; posteriormente, os presentes foram a um auditório, onde participaram de uma roda de conversa e escuta, com a presença de integrantes da Comitê Estadual Memória, Verdade e Justiça do Paraná – CEMVEJ e ex-presos políticos; encerramento e entrega de materiais sobre gráficos sobre o projeto e o LUME.
Os eventos buscaram difundir o trabalho do LUME e do CEMVEJ em prol dos valores democráticos e direitos humanos, bem como conscientizar os participantes sobre os perigos de governos autoritários. As oficinas também abordaram a importância da salvaguarda de documentos, registros e memórias, mesmo quando ligados a patrimônios ‘difíceis ou sombrios’, que são aqueles ligados à dor, traumas e mortes, por exemplo.
O local de realização da oficina enfatiza os patrimônios sombrios, uma categoria pouca difundida. O LUME: Lugar de Memória Juiz Aldo Fernandes é um espaço cultural localizado no prédio do Centro Judiciário do Paraná, imóvel construído originalmente como hospital psiquiátrico, que posteriormente foi utilizado como presídio, servindo como um dos locais de repressão ligados ao período da ditadura militar brasileira. Trata-se de um ambiente marcado por graves violações aos direitos humanos.
Para Cláudia Hoffmann, é preciso dialogar sobre esse passado, pois “é pedagógico, inclusive para que as pessoas entendam o que aconteceu na história. Nossos direitos foram conquistados em guerra, por luta”, declarou aos participantes da oficina. “E por que lembrar de histórias tão terríveis? Não há outra pedagogia possível, a não ser sensibilizar sobre os horrores da ditadura”, conclui Cláudia.
Os eventos ocorreram, também, em alusão ao Dia do Patrimônio Cultural, celebrado nacionalmente em 17 de agosto. “Quando nos colocamos de frente para um monumento, para um patrimônio, precisamos fazer uma reflexão: isso contribui para quê? O questionamento é importante”,disse Cláudia, convidando os presentes a refletir sobre o que é preservado em nossa sociedade. Um dos participantes, o ex-preso político Sérgio Faria, da Geração 68, completou que nesses casos “é necessário contrapor a memória do poder e o poder da memória”, especialmente diante do constante apagamento de lugares e referências ligadas à ditadura militar.
Cláudia, que participou dos trabalhos da CEMVEJ, compartilhou com os participantes diversas histórias referente à violação de direitos que ocorreram em diversos locais do Paraná durante o período da ditadura. Algumas dessas histórias ficaram de fora do relatório final da comissão, que foi concluído em menos de dois anos, o que evidencia a necessidade de um trabalho complementar, de acordo com Cláudia. Para ela, “ao contar essas histórias, queremos enaltecer essas coragens invisíveis e oferecer algum tipo de reparação, uma singela homenagem”.
LUME: Lugar de Memória Juiz Aldo Fernandes
O LUME dedica-se à preservação e à difusão da memória paranaense do período de repressão da ditadura militar brasileira (1964 a 1985) e foi criado a partir de uma recomendação do Relatório da Comissão Estadual da Verdade – Teresa Urban, entregue ao público em 2012.









