O Projeto Inventário Participativo: Memória, Verdade e Justiça do Paraná participou da 4° Jornada do Patrimônio e Memória: celebrando e preservando o legado cultural no Sesc Paço da Liberdade, no dia 20 de agosto. Os eventos da 4° Jornada foram uma iniciativa do SESC Paraná em celebração ao Dia do Patrimônio Cultural, comemorado nacionalmente em 17 de agosto.
A equipe do projeto participou do evento com uma palestra, cujo tema foi ‘Políticas de memória e políticas de esquecimento: caminhos, limites e desafios do projeto Inventário Participativo: Memória, Verdade e Justiça do Paraná’. A palestra foi realizada pela historiadora e coordenadora do Projeto, Cláudia Hoffmann, e pela historiadora e assistente de pesquisa, Gabriella Ferreira.
Para introduzir o tema, Cláudia citou a criação do LUME: Lugar de Memória, em Curitiba, estabelecido em um local que apresenta uma carga de memória social dolorosa, sendo um exemplo de patrimônio difícil, patrimônio sombrio, já que o local foi sede de um hospital psiquiátrico e depois penitenciária. “É claro que é muito mais cômodo falar de um patrimônio alegre, festivo, mas é necessário abordar os patrimônios difíceis”, comentou.
A instalação do LUME, aliás, veio de uma recomendação do Relatório da Comissão Estadual da Verdade do Paraná – Teresa Urban, entregue ao público em 2012. O documento elucidou a necessidade de preservação de lugares de memória da resistência no estado. Para Cláudia, tais espaços de memória auxiliam, ainda, na naturalização do debate sobre os direitos de populações invisibilizadas, como indígenas e quilombolas, por exemplo, visto que tais conversas sempre são polarizadas por informações infundadas e/ou distorcidas.
Mesmo com todos os avanços obtidos graças ao Relatório da CEV-PR, Claudia questiona se a dificuldade em financiar iniciativas voltadas a este tema não são uma espécie de política de esquecimento. “Há dificuldade em mobilizar recursos em prol de projetos de memória, especialmente de memórias difíceis, como a ditadura, mas é importante ter em mente que as políticas de memória defendem a democracia”, declarou.
Projeto Inventário Participativo: Memória, Verdade e Justiça do Paraná
A historiadora Gabriella contou aos presentes sobre como o Projeto Inventário Participativo atua para a salvaguarda da memória do desenvolvimento do Relatório da CEV-PR, já que tem o objetivo de produzir um catálogo dos documentos envolvidos e captar depoimentos dos envolvidos. “A ideia é reunir, organizar e disponibilizar os documentos, de forma a incentivar mais pesquisas e debates sobre o tema”, contou Gabriella.
Gabriella compartilhou sobre a metodologia de trabalho do projeto, que envolveu, até o momento, pesquisas no Arquivo Público do Paraná e entrevistas com pessoas que participaram da produção do Relatório da CEV-PR. Gabi contou que o projeto está “trabalhando em duas temporalidades: falando da CEV enquanto documento histórico e, ao mesmo tempo, incrementando e trazendo novas informações para esse documento”.










